Como a cultura empreendedora pode ser nociva

25/04/2018

 

Hoje vamos falar da cultura de startupeira. Mas não vamos falar do lado bonito e sonhador. Aquele recheado de frases motivacionais e objetivos lindos. Vamos falar do lado escuro do empreendedor e como a cultura de startup pode, sim, ser nociva.

 

Sejamos sinceros, quem nunca ouviu alguma gracinha ao sair no horário que termina o expediente ou na necessidade de se ausentar do trabalho? Não importa o meio, tanto do lado empreendedor quanto do lado do empregado existe uma relação distorcida de como devemos encarar o trabalho no dia-a-dia.

 

É bastante comum vermos perfis empreendedores nas redes sociais falando sobre como você deve forçar os limites, como o empreendedor trabalha enquanto todos descansam e várias outras frases de efeito no mesmo sentido. A verdade é que esse tipo de comportamento é premiado em todos os ambientes. Além de gerar mídia e likes no Linkedin, esse tipo de pensamento agrada a chefia e te faz ser bem visto dentro da empresa. Seja porque outros funcionários endossam essa atitude, seja porque o próprio chefe aplaude.

 

O fato é: existe uma cultura corporativa tóxica, que não acredita em um equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional. É normal que os limites tenham ficados bastante difusos, principalmente dos anos 2000 para cá, com a ascensão dos smartphones. Saímos do trabalho mas continuamos com ele no bolso e, cada vez mais, nosso horário de trabalho estica para depois do expediente. E aí é aquele vírus: um funcionário começa e responder depois do horário, depois outro, forma-se um grupo, alguns começar a esticar o período de trabalho e quando se percebe toda a empresa está contaminada pela cultura de "só mais umas horinhas".

 

Se mesmo no ambiente de trabalho tradicional, onde temos hora para chegar e sair existe esse comportamento, no mundo de quem empreende é ainda pior. Em sua maioria por não terem horários definidos e por acumularem funções, empreendedores realmente costumam trabalhar mais do que é considerado normal. O problema é quando a empresa começa a dar certo, contratam funcionários e a cultura começa a pegar desde o nascimento do empreendimento. E de repente existem colaboradores com medo de uma falta médica porque os outros funcionários vão lhe passar ou o faltoso será mal visto.

 

Seja contratado em uma empresa, construindo a sua própria ou trabalhando numa pequena startup, temos o costume de esquecer que no final do dia é apenas um trabalho. E não digo isso de forma a diminuir nenhum dos lados. Mesmo tendo hora para sair, é possível deixar o seu período de trabalho mais produtivo sem se matar. Até porque isso custa caro. Segundo uma pesquisa realizada pelo Isma-BR, 30% dos brasileiros sofre de burnout (o estágio mais avançado do stress) e a condição nos custa 4,5% do PIB.

 

Não precisamos criar uma cultura onde quem mais se sacrifica é necessariamente quem mais produz. Inclusive, quem não consegue dar conta do trabalho durante o período de... trabalho, provavelmente está fazendo algo errado, planejando mal o próprio tempo ou simplesmente acumulando mais função do que deveria. E isso pode ser culpa de uma cultura tóxica que é consequência de uma liderança inadequada. Então, como empreendedores, devemos ter o hábito de olhar para dentro, se colocar no lugar do colaborador e garantir que o ambiente de trabalho seja leve, equilibrado e que todos estejam felizes. E antes que gritem "que romântico", lembrem-se: funcionário motivado produz mais e consome menos recurso.

 

 

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