Como tirar fotos de comida

12/03/2018

 

Vamos ser sinceros, você já fotografou aquele prato lindão para botar no Instagram. Fez todo mundo na mesa esperar para que você tivesse a foto perfeita para garantir aqueles likes mais tarde.

 

Convenhamos que centralizar o prato, ajeitar talheres e clicar uma foto feita de cima não requer muita técnica fotográfica. Agora, você quer tirar aquela foto bonitona tipo anúncio para se gabar nas redes sociais ou mesmo dar uma aprimorada no seu cardápio (seja ele digital ou impresso)? Chega junto que vamos passar uma dicas para melhorar suas fotos de comida.

 

1 - Iluminação

 

Esse é o ponto mais importante para qualquer tipo de fotografia, seja gente, seja animal e com comida não seria diferente. Existem algumas formas de fazer uma iluminação bacana para o seu prato. Desde aquele setup completo com pelo menos 3 flashes, até o mais simples, com apenas uma luz. Vou passar pelas opções aqui.

 

Setup completo

Se você já tem a câmera e quer começar a fotografar alimentos, existe a opção menos barata que é: comprar a iluminação completa. Porém, existem vários tipos de flash, e os preços podem variar bastante assim como a logística para os equipamentos, pois eles variam muito de tamanho. A opção mais prática hoje é com o uso de Speedlites. A Canon tem uma linha bem robusta de flashes. Na Vintepoucos utilizamos muito os Speedlites 580 EX II, que junto com o rádio permite que usemos até 4 flashes fora da câmera. Cada Speedlite hoje custa em torno de R$700,00 a R$900,00. Já o rádio varia entre R$350,00 a R$500,00. E claro, tenha em mãos algo para deixar sua luz mais difusa. Nesse caso, o ideal é a utilização de um kit de sombrinhas. Um kit com duas, incluindo tripé, gira em torno de R$200,00.

 

É interessante usar 3 pontos de luz. Antes de ler o infográfico você precisa saber para que serve cada uma delas. A key light é sua luz principal, o que vai determinar a iluminação básica do seu objeto. A fill light é para dar um preenchimento ao outro lado menos iluminado. Em geral, utiliza-se uma luz em uma potência menor do que a key light. Já a back light é para dar um recorte ao seu objeto e distanciá-lo do fundo, para que ele não pareça uma imagem chapada. No final, o seu esquema de iluminação deve ficar mais ou menos assim:

Caso isso não caiba no seu orçamento, você pode substituir o flash que faz a fill light por um rebatedor, por exemplo, já que é uma luz que pode ser um pouco mais fraca que a principal.

 

Setup modesto

A segunda opção, caso não queira gastar tanta grana assim é usar uma luz "espalha brasa". Ou seja: uma única luz que dê aquela cobertura para todo seu cenário de forma uniforme. Nesse caso também será necessário um flash e um rádio, mas acaba aí. A forma de iluminar é parecida com os estúdio de telejornal ou programas de entrevista, onde temos muita luz vindo de cima de maneira uniforme. O esquema é mais ou menos esse:

Nesse caso a sua (única) luz vem de cima, onde é barrada por um difusor, que vai espalhar sua luz por toda a superfície. Pode ser que seja necessário acertar o ângulo da fonte de luz dependendo do seu objeto, mas quando temos poucas opções essa costuma ser uma forma eficaz para garantir uma boa iluminação. 

 

Setup barato

A última opção, e a mais barata, é do estúdio portátil. Existem vários modelos, são centenas de variações: existem os dobráveis, os de arame, os grandes, os pequenos. São realmente muitos. Em geral são acompanhados por alguma variação colorida de fundo para que você possa ter mais ou menos contraste com o seu objeto. O bacana desse setup é que ele permite que sua foto possa ser feita até com um celular, dispensando equipamentos caros. Os estúdios portáteis são assim:

Essa opção da foto já conta com iluminação embutida. mas alguns sequer possuem alguma lâmpada. Mas isso não é um problema. Como toda a sua superfície é feita de um material leitoso translúcido é possível posicionar luminárias de mesa ao seu redor para garantir uma luz suave e uniforme, deixando que a própria caixa faça o papel de difusor. Os estúdios portáteis mais básico podem ser conseguidos a partir de R$150,00.

 

2 - Cenário

 

Agora que já matamos o problema de luz é importante ficar atento a tudo que envolve o prato. Não basta apenas colocar a comida em cima da mesa e mandar ver. Por exemplo: experimente cercar o prato com os ingredientes básicos para a preparação. Aí vale de tudo. Vai fotografar um bife? Experimente colocar coisas como uma lata de azeite, sal e temperos atrás ou em volta do prato. Vale até uma garrafa de bebida, se for algo que dialogue com o prato. Lembre-se: a foto não é feita apenas do objeto principal.

 

Capriche no descanso de mesa, talheres, utensílios, velas. Essa é uma etapa onde vale de tudo, experimente para ver o que combina mais. Vale até usar tabuleiro ao invés de prato, a escolha é sua.

 

3 - Apresentação do prato

 

Tá achando que é só no Master Chef que a apresentação é importante? Para uma boa foto, os alimentos devem estar bem dispostos no prato. Não o encha de comida. Às vezes uma pequena porção já basta para comunicar o que está sendo apresentado em um cardápio, por exemplo. 

 

Fique atento aos pratos feios. Sim, eles existem. Quer ver um? Sopa. Esse é um alimento muito complicado de fotografar, pois é difícil fazê-lo ficar apetitoso aos olhos (apesar de ser extremamente saboroso). Para pratos mais complicados, é importante ser criativo. O alimento não fica legal no prato? Experimento trocar a vasilha, colocá-lo numa colher bonita ou apenas deixá-lo como elemento secundário de um outro prato.

 

4 - Alimentos frescos (ou até mesmo crus)

 

No mundo da fotografia de comida, boa parte do que se vê tem um pouquinho de mentira. Por exemplo, você sabia que nas fotos de comida do McDonald's eles tostam apenas a borda da carne? Ou que o queijo apresentado sequer foi esquentado?

 

Alguns tipos de alimentos requerem um pouco mais de cuidado. É o caso do leite. Seu aspecto no copo não é muito agradável, pois o branco que vemos em sua cor na embalagem não é o mesmo que consumimos. É muito comum substituírem o leite por cola polar. O próprio queijo, do qual falei no parágrafo anterior: para sanduíches, é muito mais bonito vê-lo antes de derretido, ainda com as bordas todas bem definidas.

 

Para frutas e bebidas mantenha sempre um borrifador de água em mãos. Aquele aspecto molhado dá uma sensação de frescor ao alimento. O mesmo serve para picolés e algumas embalagens. As gotas d'agua realçam o brilho. Vale até um pincel com óleo de oliva para passar por cima de legumes. 

 

5 - Adicione pessoas

 

Nem apenas de alimentos vivem as fotos de comida. Para fotografias de publicidade o elemento humano (às vezes apenas uma mão) pessoaliza a experiência. Pessoas gostam de ver pessoas, isso causa identificação com o produto e deixa o anúncio menos frio. E claro, confira se o modelo está com as mãos limpas, pois não é nada apetitoso vermos alguém cozinhando com aquela sujeirinha debaixo da unha.

 

Agora que você já todo o instrumental suficiente para fotografar, pegue sua câmera, o celular ou qualquer outro dispositivo do tipo e vá experimentar. E vale repetir: experimente, não existe formula mágica para fotografar, existe o melhor jeito para você e o que dá mais resultado. Os caminhos podem variar. Bom apetite :)

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

Por que estamos pagando por streaming?

May 11, 2018

1/7
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Instagram Social Icon
  • Vimeo Social Icon
Copyright © 2015 Vintepoucos