Como aumentar o engajamento feminino da sua campanha

07/03/2018

 

Primeiro, eu quero que você imagine uma pessoa. Qualquer pessoa. Para te dar uma ajuda, darei mais algumas informações: essa pessoa trabalha em um escritório, bebe cerveja nos finais de semana e gosta de ir ao cinema com frequência.

 

Se você não imaginou um homem, branco, heterossexual na faixa de 30 anos, parabéns, você faz parte de um grupo bem pequeno que não precisa ler esse texto. Agora, se você pensou nessa descrição em itálico, senta aqui que eu preciso conversar com você.

 

Como você pode ter percebido, estamos aqui para falar sobre representação. Mais especificamente, sobre a representação feminina nas peças audiovisuais. A pessoa descrita no primeiro parágrafo, no caso, sou eu, uma mulher jovem de 25 anos que trabalha no escritório, bebe cerveja nos finais de semana e gosta muito de ir ao cinema. Imagine minha confusão quando vejo a representação feminina na grande mídia? Não preciso nem dizer que não consigo me identificar em nada com essas mulheres, não é mesmo? E pode ter certeza, eu não sou exceção.

 

Durante toda nossa vida, nós, mulheres, crescemos expostas a todo tipo de conteúdo representando a mulher como inferior, marginal, santificada e hipersexualizada. Em outras palavras, representada de acordo com a idealização masculina. Essas personagens são colocadas de lado, como coadjuvantes da história e, nas poucas vezes em que são principais, não são as heroínas, sendo colocadas em ambientes privados (como donas de casa, por exemplo), dando a entender que gostariam de ir para esses ambientes.

           

Quer um exemplo? Já viu o filme A Proposta, com a Sandra Bullock? Nele a atriz interpreta uma mulher no topo da carreira mas é absolutamente infeliz. Ou seja, quando uma mulher é representada como bem sucedida, seu sucesso a torna infeliz, estressada, frustrada, uma megera que todo mundo odeia. Quantas vezes você já viu uma personagem feminina assim, e quantas vezes isso aconteceu com um personagem masculino?

 

 

O que as pessoas precisam entender é que por anos nós recebemos esse conteúdo de maneira mais “passiva”, talvez por que a maioria de nós não conhecia outras opções. Mas agora, numa época em que a mulherada está mais consciente, a representação feminina de maneira irreal não só pode gerar críticas como também faz com que essas mulheres não se conectem com essas personagens.

           

Se a marca de cerveja que eu gosto e tomo todo final de semana, por exemplo, fizesse uma campanha mostrando apenas caras conversando e olhando uma mulher gostosa, certamente não me identificaria como consumidora daquela marca. Reduzir sua propaganda a “vai verão, vem verão” só fará com que as mulheres tenham dificuldade de se identificar com os personagens masculinos. Sem falar que não existe maneira de nós - mulheres mortais - nos identificarmos com seus padrões de beleza absurdos.

 

 

Por isso, quando estiver pensando na próxima campanha ou roteiro, entenda também o que significa a escolha da personagem representada. Não se reduza a esses modelos caretas em que os homens falam de carro ou cerveja enquanto as mulheres ou estão de lado, ou apenas falam sobre produtos de limpeza e dicas de emagrecimento. Estamos cansadas de ouvir que atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher.

 

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